Neste post, Luís Eduardo Afonso, Fabio Giambiagi e Rodrigo Souza Silva apresentam um artigo da Revista Brasileira de Economia (2025) com uma proposta de reforma para a idade de aposentadoria no RGPS. A ideia central é ajustar regras de idade e de tempo de contribuição de forma progressiva, além de reduzir o diferencial entre homens e mulheres. O texto também discute caminhos de elegibilidade por idade ou por pontos, e usa simulações para mostrar como hipóteses de contribuição ao longo da vida alteram os resultados.
A previdência social segue no centro do debate fiscal brasileiro porque combina três forças difíceis de conciliar: envelhecimento populacional, regras de elegibilidade e trajetória do gasto público. O artigo parte desse pano de fundo e tenta colocar a discussão em termos de regra, incentivo e resultado.
A proposta apresentada para o RGPS é direta: elevar progressivamente a idade de aposentadoria e o tempo de contribuição, ao mesmo tempo em que reduz o diferencial de idade entre gêneros. Em vez de um único caminho, o desenho considera aposentadoria por idade e aposentadoria por pontos, que soma idade e período contributivo.
No argumento dos autores, a regra precisa ser avaliada pelo que entrega na prática. O texto trabalha com conceitos como taxa de reposição, isto é, o quanto o benefício repõe da renda, e compara alíquotas “necessárias” com alíquotas “efetivas”, especialmente quando olha para homens e mulheres.
Um ponto importante é que o resultado depende da vida real de contribuição. Quando a densidade contributiva é mais baixa, como no exemplo de 60% usado no artigo, a taxa de reposição cai e a idade de aposentadoria tende a subir. É um jeito de traduzir informalidade e interrupções de carreira em efeitos concretos na regra.
O artigo também situa a discussão no pós reforma de 2019 (EC 103), destacando o que mudou e o que ainda fica em aberto na lógica do RGPS. Aqui, o recado é menos sobre “uma solução final” e mais sobre calibragem contínua, sobretudo quando a demografia muda e a regra não acompanha automaticamente.
Para ler o anexo com proveito, vale começar pelo resumo e pela introdução, onde os autores explicam por que mexer em idade, contribuição e diferencial de gênero é o coração da proposta. Em seguida, a seção que revisita a reforma de 2019 e os aspectos demográficos ajuda a entender o diagnóstico que sustenta o resto do trabalho.
Depois, avance para o trecho metodológico e para os indicadores usados nas simulações, porque é ali que a comparação entre cenários ganha significado. Se você está lendo com foco prático, procure as tabelas e os parâmetros, inclusive as faixas e alíquotas de contribuição apresentadas como referência, para não perder o “piso” do sistema atual.
No fim, o anexo complementa o post porque entrega a estrutura completa do argumento, com hipóteses explícitas e resultados simulados. É um material que funciona bem para quem quer comparar alternativas de regra, entender trade-offs e discutir reforma com base em mecanismo, não só em slogan.






