Lisbon Talks: A América Latina face à doutrina “Donroe” (Casa da América Latina & Clube de Lisboa)

Entre pressão e estratégia: América Latina diante a “Doutrina Donroe” por José Roberto Afonso em Clube de Lisboa (2/2026).

“Estamos em meio a uma mudança de época. Não é apenas mais uma crise econômica ou de geopolítica. O mundo atravessa uma transformação estrutural profunda, que atinge simultaneamente as dimensões política, diplomática, comercial, produtiva e tecnológica. Cadeias globais de valor estão sendo reorganizadas sob critérios de segurança estratégica, alianças são reavaliadas, a geopolítica retorna ao centro das decisões econômicas e a disputa por liderança tecnológica redefine estratégias nacionais.

O primeiro quarto do século XXI foi decisivo neste processo. A ascensão acelerada da China alterou fluxos comerciais, padrões produtivos e hierarquias tecnológicas. Sua insaciável e crescente demanda por recursos naturais reconfigurou a especialização de economias emergentes. Sua competitividade industrial ampliou presença em setores estratégicos e seu avanço nas cadeias de valor a levou à fronteira tecnológica em telecomunicações, energia limpa, baterias e inteligência artificial. A hegemonia econômica e tecnológica dos Estados Unidos, consolidada ao longo do século XX, passou a ser crescentemente contestada…”

https://abrelink.me/MNO

 

Lisbon Talks: A América Latina face à doutrina “Donroe” evento promovido por Casa da América Latina e o Clube de Lisboa (2/2026).

A Casa da América Latina e o Clube de Lisboa promoveram no dia 23 de fevereiro, às 11h00, nas instalações da CAL (Av. da Índia, 110) a 5ª Lisbon Talk da série América Latina, subordinada ao tema: “A América Latina face à doutrina “Donroe”.

A sessão, subordinada à regra de Chatham House, contará com as intervenções dos professores Nancy Gomes, da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) e José Roberto Afonso, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP- Lisboa) e Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP- Brasília), com moderação da Embaixadora da República Dominicana em Portugal, Patricia Villegas.

Em 1823, o Presidente dos Estados Unidos, James Monroe, criou a Doutrina Monroe, estabelecendo que as potências europeias não deveriam intervir nem colonizar países do continente americano. Em contrapartida, os Estados Unidos comprometiam-se a não interferir nos assuntos europeus. Na prática, esta doutrina colocava o hemisfério ocidental sob a tutela política e estratégica dos Estados Unidos. A 3 de janeiro, Donald Trump, atual Presidente dos Estados Unidos, recuperou os princípios desta doutrina, reafirmando a hegemonia norte-americana na América Latina. Trump justificou esta posição com argumentos de segurança interna, como o controlo da imigração e o combate ao narcotráfico, bem como com a crescente influência de potências externas à região, nomeadamente a China e a Rússia.

A sessão abordou os impactos económicos e políticos que a reafirmação desta doutrina tem para a região.

“Questionamos se há realmente uma nova doutrina, a luz do significado deste conceito, quando parece mais uma ação midiática para impor menos uma agenda de uma nação e sim de um conjunto de grandes corporações, sobretudo tecnológicas, ainda que norte-americanas, as maiores delas sediadas em solo europeu, para fins de planejamento tributário. Se crise abre oportunidades, é mais do que hora de uma aproximação e integração entre União Européia e América Latina, mais do que apenas com Mercosul.”

https://abre.ai/oPTs

 

 

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