Empregos em um clima em mudança, o que o Banco Mundial está medindo

World Bank Group publicou em 07/11/2025 o relatório “Jobs in a Changing Climate”, que junta evidências dos seus Country Climate and Development Reports, cobrindo 93 economias. A tese é bem prática: clima e política climática mexem com produtividade, custos, investimentos e, por consequência, com empregos. O texto tenta quantificar tanto o lado das perdas em um cenário de impactos climáticos, quanto o lado das oportunidades quando países investem em adaptação e em desenvolvimento de baixa emissão. Para quem quer ir além do debate genérico, o anexo serve como mapa de onde o ajuste no mercado de trabalho pode doer mais e onde pode abrir espaço para novas ocupações.

Esse relatório tem uma ambição que costuma faltar no debate público. Em vez de ficar só no “clima é importante”, ele tenta traduzir impacto climático e resposta de política em mercado de trabalho, com números e mecanismos.

O ponto de partida é que clima afeta empregos por várias vias ao mesmo tempo, como produtividade, eficiência energética e de materiais, e danos a capital físico, humano e natural. Isso ajuda a entender por que o impacto não aparece igual em todos os setores e regiões.

A base do relatório vem dos CCDRs do próprio Banco Mundial, com um recorte grande. Ele diz que essa evidência representa 64% da população e 77% do PIB dos países de baixa e média renda, e organiza a leitura a partir de 93 economias.

No lado do risco, o texto estima que os impactos das mudanças climáticas podem significar perdas equivalentes a 43 milhões de empregos até 2050 nos 49 países analisados. Quando o raciocínio é extrapolado para todos os países de baixa e média renda, essa ordem de grandeza sobe para 260 milhões.

A parte que dá “utilidade de política” é o contraponto. O relatório afirma que investimentos em adaptação e resiliência podem reduzir perdas e criar benefícios equivalentes a empregos, e traz uma estimativa de 25 milhões de “empregos mais e melhor remunerados” nos 49 países analisados, chegando a até 150 milhões quando extrapolado globalmente.

Ele também faz uma ressalva importante sobre desenvolvimento de baixa emissão. O ganho agregado de emprego pode parecer modesto, mas a real mudança está nas transições, com deslocamentos setoriais e regionais, novas tecnologias abrindo espaço, e algumas atividades perdendo participação.

A leitura de “como fazer acontecer” aparece como um pacote, não como bala de prata. O relatório cita políticas como investir em capital humano, melhorar ambiente de negócios, facilitar realocação de trabalhadores e proteger comunidades vulneráveis, além de mobilizar capital público e privado para sustentar o volume de investimento necessário.

Como usar o anexo sem se perder. Comece pelos parágrafos iniciais para entender o que o relatório está chamando de impactos sobre empregos e por quais canais isso acontece. Depois, foque nos números de perdas e ganhos até 2050, porque eles dão escala e deixam claro que “adaptação” não é só discurso. Por fim, use a parte de políticas como checklist mental: o que no seu país já existe, o que está faltando e onde o gargalo parece ser capacidade, financiamento ou coordenação.

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