Concentração de renda no Brasil, o recorte por estados no pós pandemia

Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro e Sérgio Wulff Gobetti analisam a concentração de renda no Brasil com recorte regional e estadual em uma nota técnica publicada no Observatório de Política Fiscal da FGV IBRE em 11/12/2025, usando dados do IRPF até 2023 para estimar quanto da renda fica com o topo, especialmente o 1% e o 0,1% mais ricos, e como isso varia entre estados no período de 2017 a 2023, com metodologia, gráficos e tabelas detalhados no anexo para consulta e comparação.

Este material olha para um tema espinhoso, mas com uma pergunta bem objetiva: a concentração de renda recente foi igual no Brasil inteiro ou teve “cara” diferente em cada estado? A nota responde com estimativas que colocam o topo da distribuição no centro do mapa.

O que está sendo medido aqui é a fatia de renda apropriada pelo 1% mais rico, e também pelo 0,1% mais rico, comparando 2017 com 2023. A ideia é sair do número nacional e entender a geografia desse movimento.

A base principal são as declarações do IRPF, com desagregação por unidade da Federação a partir de 2017. Para transformar isso em “parcela da renda”, os autores também constroem uma proxy de renda disponível das famílias por estado, combinando fontes como Contas Nacionais e informações regionalizadas de salários e benefícios.

No plano nacional, o texto parte de um achado já discutido em nota anterior do próprio Observatório: entre 2017 e 2023, o 1% mais rico ampliou sua participação no “bolo” de 20,4% para 24,3%. Este estudo entra para mostrar como esse aumento se distribui no território.

A variação entre estados aparece como o ponto mais forte do anexo. Em Mato Grosso, por exemplo, a parcela de renda apropriada pelo 1% mais rico vai de 20,3% para 30,5% entre 2017 e 2023, um salto de 10 pontos percentuais. Em São Paulo, o 1% sobe de 22,9% para 27,1% no mesmo período.

Os autores resumem um padrão que vale ficar de olho: níveis e trajetórias tendem a ser diferentes entre Norte e Nordeste, de um lado, e estados de maior PIB per capita no Sul, Sudeste e Centro Oeste, de outro. Eles também citam que estados mais ricos, ou com maior presença do agronegócio, tendem a registrar aumentos maiores no período recente.

O anexo também ajuda a responder “onde estão” as pessoas no topo. O texto estima que o top 1% reúne 1.601.786 pessoas, e mostra a distribuição por estado, com 35,6% em São Paulo, 11,2% no Rio de Janeiro, 9,1% em Minas Gerais e 7,0% no Rio Grande do Sul.

Alguns casos aparecem como pistas para interpretação, sem fechar diagnóstico. O Distrito Federal, por exemplo, tem a maior proporção da população estadual dentro do top 1% nacional (2,86%), e o texto associa isso à presença de servidores de alta renda, com menção a remunerações acima de R$ 30 mil mensais.

Como usar o anexo de um jeito que rende. Comece pela introdução e pela seção de base de dados e metodologia, porque ali está a “engenharia” do indicador. Depois, vá aos gráficos de distribuição do 1% e do 0,1% por estado e, em seguida, às tabelas dos anexos (A1 a A4), que detalham participação, renda média e a evolução da concentração por unidade federada. A página do Finance Insights te dá o contexto e o link, o anexo te entrega o detalhe técnico para consulta e comparação.

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